A queda

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O Império Romano não caiu da noite para o dia. Sua queda foi apenas o resultado anunciado de muitos anos de degeneração cultural e moral. Dia desses, contemplando nosso planeta, fiquei a meditar sobre isso.

Na Itália, apenas 40% das pessoas conseguem ler e entender um livro – aliás, 13% das livrarias daquele país fecharam nos últimos dez anos. Na Europa inteira apenas 22% dos habitantes adquirem pelo menos um livro a cada ano – nos EUA, 10,5%. Por conta disso, nos últimos cinco anos os livros lançados estão em média 29 páginas mais curtos.

Os acalorados debates públicos sobre problemas sociais começam a ser substituídos: 83% dos usuários da Internet apenas discutem entre os grupos selecionados que criaram ou do qual fazem parte – vale dizer, com os quais têm alguma identidade.

Diante deste quadro começa a desaparecer o jornalismo analítico. Nos EUA, por exemplo, todos os jornais somados disponibilizam para a população diariamente 60 milhões de exemplares – o mesmo número de seguidores que o presidente daquele país tem na Internet.

Analisemos, agora, a principal consequência deste estado de alienação imposto à humanidade: índices de desigualdade jamais vistos ao longo da história – hoje, por exemplo, o patrimônio das 26 pessoas mais ricas é equivalente ao de 50% da população do mundo.

Na Espanha, 87% dos habitantes necessitam de 90% de suas rendas familiares somente para alugar uma casa. No Chile, 53% das aposentadorias correspondem a meio salário mínimo e apenas 2% correspondem à integralidade deste – daí o elevadíssimo índice de suicídio de idosos. Nos EUA, 49 milhões de pessoas passam fome. Na Europa, 16% da população estão abaixo da linha da pobreza.

Eis aí, de forma nítida, todos os elementos necessários à formação de uma ordem mundial absolutamente perigosa. Não por acaso, assim, as despesas com defesa tem crescido vertiginosamente. Em 2018, por exemplo, a humanidade gastou US$ 1,8 trilhão apenas com armas de guerra – o equivalente a US$ 239 por pessoa. O risco de um conflito de grandes proporções é, hoje, o maior dos últimos 25 anos.

Eu não sei em que dará tudo isso. Não tenho informações ou mesmo discernimento para formar um juízo correto sobre o que estamos por viver. Apenas fico, com Octavio Paz, a recordar que lutar contra o mal é lutar contra nós mesmos.

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