A escuridão

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O Brasil é um país de contrastes! Aos seus 7.491 km de litoral, por exemplo, corresponde uma indústria naval ainda modesta. Pode explorar mais de 3,6 milhões de km² de oceano, sem falar nos tantos rios que o cortam, porém importa um terço do pescado consumido.

Li que há uns 150 anos é o maior produtor mundial de café, produto que paradoxalmente importa – a peso de ouro – de países que não dispõem de um único pé deste vegetal! Somos um dos maiores produtores de cacau do planeta (até onde li o 5º maior), mas importamos caríssimos chocolates de países que não contam com sequer um pé do dito cujo.

Descobri que somos o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo – e importamos trilhos para nossas poucas ferrovias que, por sua vez, contrastam com as dimensões continentais do nosso país, percorrido diuturnamente por caminhões mil.

O Brasil é um grande produtor e exportador de petróleo – mas soube que importa combustíveis até da Bélgica, que não produz um único barril do “ouro negro”. Dizem que a culpa é das características do nosso parque de refino.

Nosso país ocupa 8.516.000 km². Venta muito nele. Isto resulta em um potencial de energia eólica estimado em 500 GW – suficiente para alcançar o triplo da matriz atual. Com tanto espaço, o Brasil recebe, além de vento, muita luz solar. Calculou-se serem mais de 2.200 horas anuais de insolação, equivalentes a 15 trilhões de MW. Só os telhados das casas brasileiras, sem usar sequer 1 m² a mais de área, poderiam gerar 164 GW – quase equivalente à capacidade atualmente instalada, de 170 GW!

Há também aquele espaço ocupado pelos lagos de hidrelétricas. Se aproveitado com sistemas de painéis solares flutuantes poderia gerar 4,4 TW. Calculou-se, enfim, que o potencial solar brasileiro como um todo poderia atender a demanda de energia elétrica de 170 países semelhantes ao nosso!

Enquanto isso li, dia desses, que o Brasil ainda importa energia elétrica e caminha para ter a tarifa mais cara do planeta – ocupamos, hoje, o segundo lugar. Pense nos prejuízos que daí decorre para a economia como um todo.

Enfim, em um quadro tão confuso, sirva-nos de paroxismo o caso da capital brasileira banhada pelo rio Amazonas – o maior do mundo em volume de água – cuja população, pelos jornais, reclama constantemente de… falta de água!

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