A discriminação

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Dia desses meditava sobre a fala do primeiro ministro da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, acerca do sexo feminino: “Você não pode colocar homens e mulheres em pé de igualdade. É contra a natureza. São constituídos de forma diferente”.

Naquele mesmo país o Ministro da Saúde, Mehmet Müezzinoglu, durante discurso proferido em um casamento, houve por bem dizer que “a maternidade deveria ser a principal carreira das mulheres”.

Na Arábia Saudita, um historiador (alguém culto, pois) declarou, ao ser entrevistado por uma rede de televisão, ser correta a proibição de mulheres dirigirem veículos naquele país. E completou: “no Ocidente elas dirigem porque não se importam de serem estupradas no acostamento na eventualidade de o carro quebrar”. Para espanto da jornalista que o entrevistava, sugeriu em seguida que as viúvas sauditas deveriam ser transportadas por mulheres ocidentais trazidas especialmente para este fim.

Enquanto isso, o primeiro ministro indiano, Narendra Modi, provocou grande indignação nas redes sociais depois de elogiar sua colega de Bangladesh, Sheikh Hasina, por sua coragem na luta contra o terrorismo, “apesar de ser mulher”.

No Irã, abordando a composição do parlamento nacional, assim opinou o deputado Nader Qazipour: “O parlamento não é lugar para bebês e burros. O parlamento não é lugar para mulheres. O parlamento é para homens”.

Dos Estados Unidos da América vem a “pérola” seguinte. Abordando o problema do alto índice de estupros, o chefe de polícia Bryan Golden afirmou que “a maior parte deles é de mulheres que acordaram no dia seguinte com complexo de culpa”.

Ainda naquele país há o caso da amamentação em local público. Opondo-se a uma proposta de legislação que a criminalizaria, por ofensa aos “bons costumes”, a parlamentar Amanda Bouldin ouviu o seguinte de seu colega, Josh Moore: “Se há uma tendência natural das mulheres em expor seus seios em público, e se você dá apoio a isso, então não deveria haver problema com a igualmente natural tendência dos homens em agarrá-los”.

Diante destes exemplos, todos protagonizados por pessoas reputadas cultas, que exercem papel de liderança perante a humanidade, fico a pensar no eterno passar dos séculos – quantos deles serão necessários para que as mulheres sejam, apenas e simplesmente, respeitadas?

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