Trem das onze

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Shanghai, China. Do aeroporto de Pudong parte um trem de última geração, conhecido como Maglev, rumo ao centro da cidade. Em dois minutos ele já está a 300 km/h, flutuando sobre os trilhos. Mais alguns instantes e ei-lo a 430 km/h, aproximando-se do centro de Shanghai. Não há barulho ou poluição – este incrível trem, alimentado por energia elétrica, flutua sobre o chão graças a um sistema magnético.

Tokyo, Japão. Na linha de Yamanashi o primeiro Maglev japonês é testado. Em poucos minutos alcança a incrível velocidade de 581 km/h. Mas fiquemos com os trens comuns. Voltemos ao dia 1º de abril de 1964, quando foi inaugurado o primeiro trem de alta velocidade japonês. O sucesso foi imediato, tendo sido alcançada a marca de 100 milhões de passageiros transportados em apenas 3 anos. Em 1976 o popular ‘trem-bala’ japonês transportava seu bilionésimo passageiro pelas ferrovias daquele país, que cruzava a 220 km/h. No ano de 2003 informou-se que o atraso médio das chegadas dos trens em relação à tabela de horários era de 6 segundos. Seis segundos! Este incrível sistema ferroviário já transportou, desde a sua criação, mais de 6 bilhões de passageiros.

Seul, Coréia do Sul. No dia 31 de março de 2004 é inaugurada a Gyeongbu Line, ligando Seul a Busan pelo KTX (Korean Train Express), que alcança a velocidade de 350 km/h. Este serviço está em plena expansão. No ano de 2006 o KTX transportou 36,49 milhões de passageiros.

Paris, França. O TGV, trem de alta velocidade francês, em operação normal atinge 320 km/h – mas já alcançou 574,8 km/h – cruzando praticamente todo o país.

Alemanha, 1991. Na estação de Kassel-Wilhelmshöhe inaugurava-se o sistema de trens InterCityExpress – ou ICE, como é mais conhecido. Atualmente estes trens cruzam toda a Alemanha a 300 km/h, reduzindo sensivelmente os níveis de ruído e poluição causados pelo uso de caminhões, carros e aviões.

Brasil, século XXI. Dos 29.798 km de ferrovias que temos 10 mil foram construídos pelo Imperador Dom Pedro II. 7.000 km de trilhos estão inativos. A velocidade média dos nossos trens é de 20 km/h. Quem ganha com esta vergonha?

Alheio a tudo isso lá está o Jeca Tatu na estação, cantarolando a música imortal de Adoniran Barbosa: “se eu perder este trem, que sai agora às onze horas, só amanhã de manhã”

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