Toninha, o golfinho invisível que pode ser extinto no Estado

Estima-se que restem menos de 600 golfinhos da espécie no litoral capixaba. A maior causa de morte está relacionada às redes de pesca

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Foto: Divulgação

A toninha, o golfinho mais ameaçado do Brasil, corre sério risco de ser extinta no Espírito Santo. O mamífero vive em águas rasas e habita todo o Litoral Norte capixaba. De tamanho pequeno, mede cerca de 1,5 metro de comprimento e se reproduz uma única vez a cada dois ou três anos. Segundo o médico veterinário Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, a principal causa de morte dessa espécie está relacionada com a captura acidental em redes de pesca que são deixadas no mar por algumas horas.

“Se não forem tomadas medidas urgentes para reduzir a mortalidade das toninhas, assistiremos à iminente extinção desta população mais ameaçada do Brasil. Além da degradação do habitat marinho e poluição, a pesca acidental é um dos maiores riscos”, aponta Eduardo Camargo, presidente do Instituto Baleia Jubarte.

De acordo com informações do Instituto Baleia Jubarte em Vitória, as toninhas se alimentam de pequenos peixes, como a pescadinha, manjuba, sardinha e também de pequenas lulas. Ela é considerada o “golfinho invisível” por sua natureza mais discreta e, por isso, é difícil de ser encontrada na natureza, pois vivem em grupos pequenos de até cinco indivíduos.

Uma característica peculiar da distribuição de toninhas é que no Espírito Santo e Rio de Janeiro, as toninhas vivem isoladas, fato que não ocorre nas outras regiões. Na costa capixaba elas habitam o Norte do estado, desde a região de Santa Cruz, em Aracruz, até a divisa com a Bahia. No litoral fluminense, elas podem ser encontradas desde a região de Rio das Ostras até a divisa com o Espírito Santo.

“O fato das populações de toninhas viverem isoladas nas costas capixaba e fluminense, é um agravante, já que não há intercâmbio com outras populações para fins de reprodução, por isso o risco de ocorrer a extinção da espécie nestes dois estados é muito alto. No Espírito Santo estimamos que restem menos de 600 animais e cerca de 1.200 no Rio de Janeiro”, afirma Milton Marcondes, acrescentando que “a taxa anual de morte é bem maior do que a capacidade de reprodução, sendo necessário haver no máximo duas mortes a cada três anos. Porém, nos últimos três anos, registramos 34 casos de óbitos de toninhas”.

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