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11/01/2019 às 08:49
PA-SUS do Hospital São Camilo só atende casos de urgência e emergência

Pacientes que procuravam o Pronto Atendimento (PA-SUS) da Prefeitura de Aracruz, que funcionava no Hospital São Camilo para todo tipo de problema de saúde, agora só conseguem atendimento em casos de urgência e emergência.

 

O prefeito Jones Cavaglieri reduziu pela metade o valor do convênio com a Fundação, que foi obrigada a demitir 80 funcionários, inclusive médicos, e anunciou que os demais casos, em todo o município, serão atendidos somente na Unidade de Saúde do bairro Vila Rica, que já funciona em regime permanente de 24h, desde o dia 2, inclusive durante feriados e finais de semana.

 

Em 2018, o repasse de recursos federais e municipais pela prefeitura, por meio do Conselho Municipal de Saúde, totalizava R$ 23.330.027,92. Este valor foi reduzido no primeiro dia deste ano para R$ 12.739.633,13, pelo prazo de dois anos.

 

Desta forma, apenas os atendimentos de extrema urgência e gravidade serão realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Pronto Atendimento do Hospital, que antes atendia uma média de 300 pessoas por dia.

 

O novo contrato com o hospital garante que todos os cidadãos possam ser atendidos em cirurgias eletivas das mais diversas especialidades, como obstetrícia, internações hospitalares e oftalmologia, exames de mamografia, serviços de ultrassonografia e tomografia.

 

Os demais casos da saúde básica, radiografias e exames laboratoriais, somente na unidade do Vila Rica. As 80 demissões no Hospital São Camilo atingiram médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, recepcionistas, porteiros e assistentes sociais.

 

Prefeito explica suspensão dos atendimentos

Alegando falta de dotação orçamentária para 2019, o prefeito Jones Cavaglieri explicou que a decisão de reduzir o contrato de serviços médicos do PA-SUS, que eram realizados no hospital, mantendo apenas os atendimentos de extrema urgência e gravidade, foi necessário para equilibrar as contas da secretaria municipal de Saúde.

 

Cavaglieri argumenta que nos primeiros dias do ano foram realizados 172 atendimentos na Unidade de Saúde do Vila Rica, dos quais 30 foram encaminhados para urgência hospitalar, já identificados e mapeados, além de outros 132 atendidos e resolvidos no próprio local, e que também segue normal a realização de exames nos laboratórios da municipalidade.

 

Conselho Curador esclarece serviços prestados

O presidente do Conselho Curador da Fundação Hospital Maternidade São Camilo, Evilasio Oliveira Costa, explicou que “a prefeitura justifica que não deu continuidade ao atendimento à população com o PA-SUS, como fazia há mais de 10 anos, alegando que não tinha dotação orçamentária. O hospital estava prestando o mesmo serviço desde 2015, sem reajustes. Durante este período, os salários dos profissionais de saúde, por força do Sindicato, a conta de energia, medicamentos e demais custos, subiram. E os atendimentos saltaram de 6.000 para 8.500 por mês. Como o hospital é filantrópico, tem ajuda dos voluntários e tudo o que arrecada no atendimento de clientes particulares e dos que têm planos de saúde é aplicado para os pacientes do SUS. O hospital tinha concordado com a prefeitura em manter o mesmo valor para 2019. E de fato, com ou sem o contrato, segue atendendo a população com cirurgias, serviço de maternidade, internação adulto e pediátrica com clínica médica, exames e alimentação, tudo pelo SUS, através de verbas federais”.

 

Custo do PA Municipal será de R$ 320 mil/mês

Em nota, a Prefeitura de Aracruz reiterou que o PA, que agora funciona na UBS do bairro Vila Rica, oferece todos os serviços e adota os procedimentos antes ocorridos no PA-SUS do Hospital São Camilo, assim como os exames de sangue e urina, Ultrassom e Raio-X. O PA do Vila Rica, diz a nota, já é estruturado para receber a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que inclusive conta com salas de pequenas intercorrências. A unidade também já está no Cadastro Nacional de Estabelecimento da Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. Com relação às salas de urgência e emergência, a nota informa que estas continuam funcionando normalmente dentro do hospital, pois esses atendimentos estão assegurados no contrato firmado com a prefeitura. Incluindo o Recurso de Urgência e Emergência (RUE), o contrato foi assinado no valor de R$ 12.739.633,13. A reportagem da FOLHA DO LITORAL fez outros questionamentos.

 

FL - Qual será o custo mensal/anual para manter o próprio PA?

O valor estimado conforme o Ministério da Saúde para uma cidade com 100 mil habitantes, que é o caso de Aracruz, é de R$ 320 mil por mês, algo próximo de R$ 3 milhões por ano, sendo que 40% desse recurso é repassado pelo Governo Federal.

 

FL - Quantos médicos estão atendendo por dia? Em quais especialidades?

São cinco médicos, sendo três clínicos e dois pediatras por plantão.

 

FL - Haverá concurso para a contratação de novos médicos e outros profissionais de saúde frente a essa nova realidade?

Não. Nesta fase inicial os médicos estão sendo contratados pelo Consórcio Polinorte. Os demais profissionais são da Rede Municipal de Saúde.

 

FL - Qual salário de um médico que atuará em regime de plantão? E fora dele?

O salário depende de cada plantão e sua especialidade, sendo que esses vencimentos se encontram disponíveis em tabelas do Conselho Regional de Medicina (CRM) e do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Médicos temem que PA do Vila Rica não atenda a demanda que era oferecida no PA SUS do Hospital

Médicos entrevistados pela reportagem (não queriam nomes divulgados) temem pelas pessoas mais carentes de Aracruz, que sempre tiveram essa porta aberta no hospital, com exames de sangue e de urina com resultado na hora; Ultrassom e Raio-X com resultados na hora; 3 a 4 médicos clínicos 24h; 2 a 3 pediatras 24h; 2 obstetras; 2 ortopedistas e duas salas de urgência e emergência que já salvaram a vida de milhares de enfartados, esfaqueados, baleados, acidentados etc.

 

A secretaria de Saúde alega o contrário, garantindo que de 7h da quinta-feira (03/01) até 7h da sexta-feira (04/01), o Pronto Atendimento 24h que está em funcionamento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Vila Rica registrou um total de 160 atendimentos, sendo 69 de Urgência em Atenção Básica, 81 em Urgência em Atenção Básica, com observação em até oito horas, além de outros dez em Urgência em Atenção Básica com remoção.

 

Com relação ao fluxo de atendimento por município, o Pronto Atendimento registrou também pacientes de Ibiraçu (5), Fundão (3), João Neiva (2), Vitória (1), Rio de Janeiro (1), Santa Teresa (1), São Gabriel da Palha (1), Colatina (1) e Serra (1). Esses atendimentos 24h vieram após a renovação do contrato entre a prefeitura e a Fundação Hospital Maternidade São Camilo, por mais dois anos, assinado no dia 1º de janeiro de 2019, no valor de R$ 12.739.633,13.

 

Ainda de acordo com o prefeito Jones, as pessoas que já estão sendo atendidas no PA do Vila Rica contam com toda a infraestrutura necessária. “Temos um espaço reformado, com os médicos atendendo com tranquilidade. Será oferecida a mesma estrutura para os outros dois PAs, que passarão por reformulações para poderem atender em regime de 24h”, diz.

 

Usuários reclamam de atendimento no novo PA

A reportagem da FOLHA DO LITORAL esteve no novo PA na tarde da terça-feira 8 e se deparou com usuários insatisfeitos. A maioria reclamava de demora no atendimento, como a aposentada Ângela Nunes Correia, 59. Com dores, ela havia dado entrada na unidade às 13h e às 15h50 ainda não havia sido atendida. Na ocasião, segundo informações obtidas na recepção, os quatro clínico-gerais de plantão estavam atendendo emergências. “Complicou e piorou tudo. Estamos sendo atendidos na base do improviso. Poderiam ter preparado melhor essa troca”, reclamou.

 

Outros pacientes reclamavam do deslocamento para fazer exames. Um exame de sangue, por exemplo, precisa ser feito em um laboratório que fica a cerca de 1 km do PA. Um exame de Raio-X, por sua vez, precisa ser feito em uma centro de diagnóstico a quase 40 metros do local. “Para quem não tem carro complica mais ainda”, preocupou-se Camila Oss, 28. Em gestação de alto risco, ela – que mora em Ibiraçu – foi ao PA-SUS do São Camilo, mas não foi atendida e seguiu para o novo PA na esperança de conseguir um encaminhamento para ser atendida no hospital.

 

Diferenças entre pronto-atendimento e pronto-socorro

Doenças ou situações agudas, que se manifestam através de sinais e sintomas como febre, diarreia, dores nas costas, dor de cabeça, garganta ou de ouvido podem ser atendidas em serviços de pronto atendimento, não necessariamente vinculados a hospitais. Já situações que ponham em risco a vida ou possam causar danos definitivos à saúde, devem ser atendidas em pronto-socorros de hospitais. Acidentes de trânsito e de trabalho, agressões por arma de fogo ou arma branca, fraturas, hemorragias, picadas de animais peçonhentos, dor torácica, diabetes descompensada, dificuldades respiratórias severas, são situações que requerem atendimento em estruturas hospitalares. Doenças crônicas, que se manifestam por sinais e sintomas que perduram por semanas ou meses, por sua vez, devem ser atendidos em ambulatórios eletivos (clínicas ou consultórios médicos, com consulta pré-agendada).

 

Recursos repassados ao hospital pela prefeitura

2007: R$ 2.520.493,08

2008: R$ 2.520.493,08

2009: R$ 7.975.006,62

2010: R$ 8.539.852,05

2011: R$ 9.990.431,83

2012: R$ 9.910.426,65

2013: R$ 12.285.582,46

2014: R$ 15.228.951,19

2015: R$ 21.507.373,20

2016: R$ 23.363.246,42

2017: R$ 23.363.246,42

2018: R$ 23.330.027,92

2019: R$ 12.739.633,13 (previsão)

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