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07/06/2019
UNESCO alerta para ameaça de desaparecimento de um milhão de animais e plantas

Mais preocupação do que celebração nesta Semana do Meio Ambiente. Nosso mundo está em aviso prévio, apontam as conclusões de um recente e duro relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) acerca do impacto humano sobre a natureza. É o primeiro estudo sobre o assunto desde 2005 e, segundo ele, quase um milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção dentro de décadas.

 

Apresentado no mês passado para mais de 130 delegações governamentais para aprovação na sede da UNESCO, o relatório contou com trabalho de 400 especialistas de 50 países. Os atuais esforços para conservar os recursos do planeta devem falhar caso não sejam tomadas ações radicais, disseram especialistas na ocasião.

 

Destacando a importância universal da biodiversidade — a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas — Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, afirmou que protegê-la é tão vital quanto combater a mudança climática. “Não podemos mais destruir a diversidade de vida. Esta é nossa responsabilidade com as gerações futuras”.

 

Além de fornecer informações sobre o estado da natureza, de ecossistemas e sobre como a natureza escora todas as atividades humanas, o estudo também discute progresso em metas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris sobre mudança climática.

 

O relatório também examinou cinco fatores impulsionadores de mudanças “sem precedentes” na biodiversidade e em ecossistemas ao longo dos últimos 50 anos. Os impulsionadores foram identificados como: mudanças no uso da terra e do mar; exploração direta de organismos; mudança climática, poluição e invasão de espécies estrangeiras.

 

Uma em cada quatro espécies está em risco de extinção

Sobre os riscos à fauna e à flora, o estudo afirmou que atividades humanas “ameaçam mais espécies atualmente do que nunca”. A conclusão foi baseada no fato de que em torno de 25% das espécies de plantas e de animais estão vulneráveis. Isso significa que em torno de um milhão de espécies “já enfrentam risco de extinção, muitas delas em décadas, a não ser que ações sejam tomadas para reduzir a intensidade de impulsionadores de perdas à biodiversidade”.

 

Sem medidas para a redução de perdas, haverá uma “maior aceleração” na taxa global de extinção de espécies. Atualmente, a taxa é “ao menos dezenas de centenas de vezes maior do que a média ao longo dos últimos 10 milhões de anos”, segundo o relatório.

 

O estudo destacou que, apesar de muitos esforços locais, de povos indígenas e de comunidades locais até 2016, 559 das 6.190 espécies domesticadas de mamíferos usadas para alimentação e agricultura foram extintas. Este número representa em torno de 9% do total e ao menos mais mil espécies estão ameaçadas.

 

Segurança de safras ameaçada em longo prazo

Além disso, muitas plantações “selvagens”, necessárias para a segurança alimentar em longo prazo, “não possuem proteção eficaz”, segundo o relatório. A situação de “parentes” selvagens de aves e mamíferos domesticados também “está piorando”.

 

Ao mesmo tempo, reduções na diversidade de safras cultivadas, plantações selvagens e espécies domesticadas significam que a agricultura provavelmente será menos resiliente à mudança climática, pestes e patogênicos.

 

“Embora mais alimentos, energia e materiais estejam sendo fornecidos para pessoas na maioria dos lugares, isso ocorre cada vez mais à custa da habilidade da natureza de fornecer tais contribuições no futuro”, afirmou o relatório.

 

Poluição marinha “aumentou dez vezes desde 1980”

Embora as tendências globais sejam mistas, a poluição do ar, da água e do solo continua aumentando em algumas áreas, de acordo com o relatório. “A poluição marinha por plásticos, em particular, aumentou dez vezes desde 1980, afetando ao menos 267 espécies”, disse o documento. Isso inclui 86% das tartarugas marinhas, 44% das aves marinhas e 43% dos mamíferos marinhos.

 

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