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18/10/2019 às 08:41
Mosteiro Zen Morro da Vargem inicia aulas da Escola de Cerâmica em Ibiraçu

Idealizada há 12 anos, a Escola Oficina de Cerâmica Kanzeon é agora uma realidade em Ibiraçu. As aulas do projeto – realizado pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem em parceria com o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidores do Espírito Santo (Sincades), Prefeitura de Ibiraçu e Associação Amigos da Justiça – tiveram início no último dia 30 de setembro, em um atelier na Praça Torii, situada próximo à rodovia BR-101, onde está sendo erguido o monumento do Grande Buda.

 

Utilizando técnicas milenares da cerâmica japonesa de alta temperatura, o projeto tem como objetivo, na sua primeira etapa, profissionalizar e gerar renda à população das comunidades do seu entorno. O propósito da iniciativa é criar, futuramente, um polo de cerâmica de alta qualidade abrangendo os municípios de Ibiraçu, Aracruz, Fundão e João Neiva.

 

A Escola Oficina de Cerâmica Kanzeon está sob direção artística da renomada ceramista Kimi Ni (www.kiminii.com.br), com o apoio da respeitada ceramista Heloísa Galvão. As aulas serão ministradas pelo professor-coordenador Márcio Moura, da Bahia, e pela professora-assistente Clara Pignaton, do Espírito Santo. Com o intuito de enriquecer a formação dos alunos, também serão realizados workshops, oficinas, palestras e intercâmbios.

 

Essa é a primeira escola na América do Sul que proporciona esse tipo de curso, o que é um privilégio para as pessoas que vivem em Ibiraçu e Região. A escola deve atingir o público de quase 30 mil pessoas que circulam anualmente pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem e também as pessoas que peregrinam pelo circuito Caminhos da Sabedoria.

 

A CERÂMICA E O ZEN

No Japão, o ato de beber o chá foi aos poucos transformado numa forma de arte que incorporava a estética zen. O mestre Sen no Rikyu (1522-1591) pediu ao ceramista Chojiro (1516-1592) que criasse tigelas de chá que personificassem seus ideais de beleza natural. As tigelas de Chojiro receberam a aprovação do líder samurai Toyotomi Hideyoshi (1536-1598), que apelidou Chojiro de “Raku”, o qual acabou estampado nas tigelas. As cerâmicas Raku eram feitas à mão com argila, queimadas individualmente em altas temperaturas e logo depois esfriadas. O esmaltado escuro e grosso ressalta a cor verde do chá e a forma irregular da tigela confere um prazer tátil ao usuário. Os descendentes de Chojiro continuam a fazer as cerâmicas Raku até hoje.

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