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11/06/2010
Excesso de candidatos em Aracruz. O erro vai se repetir?

Mais uma eleição proporcional e o fantasma do excesso de candidatos volta a ameaçar deixar Aracruz e região sem representação política em nível estadual e federal. Já foram anunciadas cerca de dez pré-candidaturas para a Assembleia, sete delas sem o teste das urnas. Vale lembrar que em 2006 foram oito candidatos a deputado estadual e dois a federal (Jones Cavaglieri e Marcus Vicente). O resultado foi a derrota de todos, já que Marcelo Coelho deixou de ser eleito por causa de 34 votos e só assumiu o mandato como suplente. João Carlos Baby Devens também amargou uma suplência, mesmo sendo bem votado.

  

Atualmente a disputa estadual em Aracruz está polarizada entre Marcelo Coelho (PDT), que acaba de perder o mandato por infidelidade partidária - e o município volta a ficar sem representação -, e o vice-prefeito Jones Cavaglieri (PSB). Se apenas os dois ficassem na disputa, certamente seriam eleitos. Em 2006 os chamados "tira-votos" - candidatos que entram na disputa sem chance de sucesso - inviabilizaram a eleição de dois deputados estaduais em Aracruz (Marcelo e Baby).

  

Foram eles Saulo Meirelles, Heraldo Musso, Paulo Neres, Nivaldo Quirino e Juarez Tenório, que juntos tiveram 5.962 votos no município, média de 1.192 votos para cada um. Dirceu Cavalheri não aceitou o acordo proposto por Armando Amorim (PV), que era o outro candidato do grupo, de que apenas o melhor colocado nas pesquisas (Marcelo) fosse candidato único. Foram juntos para a disputa e nenhum dos dois se elegeu, apesar da boa votação de Dirceu.

  

E agora, em 2010, surge uma nova safra de "tira-votos" que pode inviabilizar a eleição de deputado estadual por Aracruz. No PSDB existem dois pré-candidatos - Jeinisson Lecco e Denise Gonçalves, esposa do ex-prefeito Cacá Gonçalves, que vai dividir os votos com Marcelo. O PRB deve lançar o empresário Luiz Cláudio Gomes Souto. O PT do B conta com o jovem Wagner Souza, que deverá ter a campanha coordenada pela equipe do vereador Jocimar Manego Borges, o recordista de votos para a Câmara de Aracruz. O partido conta ainda com Carlos Loureiro Oliveira, que foi candidato a prefeito em 2008 e obteve apenas 367 votos, insuficientes para se eleger vereador. Com exceção do Carlos, nenhum deles foi testado nas urnas e já se lançam candidatos a deputado estadual.

  

Um "tira-votos" assumido é o advogado Alcântaro Victor Larazzini Campos, que estreia na eleição de deputado estadual pelo PPS dizendo que é para formar palanque para a candidatura a deputado federal de Luciano Resende, presidente estadual do partido, quando na região existe a candidatura de Marcus Vicente (PP). Quem está de volta é o ex-vice-prefeito de Aracruz, Ismael Fernandes de Almeida, aposentado do Incaper e com base eleitoral nos setores rurais de Aracruz e Fundão, e que vai entrar nos redutos eleitorais de Jones e Marcelo.

  

Candidato à eleição proporcional que não tem votos em outros municípios é candidato à derrota. Marcelo Coelho provou ter este trunfo essencial para o sucesso nas urnas. Ele conseguiu 5.856 votos em 26 municípios, uma média de 252,2 votos por cidade. Marcus Vicente, então, nem se fala. Obteve votos nos 78 municípios do Estado, sendo o único a conquistar este prestígio. Será que os novos pré-candidatos pensaram nisso?

  

E ainda tem a legenda, que tirou a vitória de políticos campeões de votos no Espírito Santo em 2006, como o ex-deputado federal Marcus Vicente, que obteve 61.051 votos, mais que alguns eleitos, como a petista Iriny Lopes (60.637), o pedetista Carlos Mannato (52.363) e Jurandy Loureiro (33.863), do PSC.

  

A eleição de 2006 em Aracruz teve uma abstenção de 13,07% (6.524 eleitores que deixaram de votar). Além desse problema para as candidaturas locais, existe ainda a votação nos de fora. Para deputado estadual na última eleição, 1.967 (4,53%) eleitores votaram em branco e 871 (2,01%) anularam o voto. Os candidatos de fora levaram 7.602 votos, cabendo aos oito candidatos pelo município o total de 32.952 votos (75,9% do eleitorado). Para deputado federal 15.755 (36,3%) eleitores votaram em candidatos de fora, cabendo aos dois candidatos pela região - Jones Cavaglieri e Marcus Vicente - o total de 21.958 votos (50,6% do eleitorado).

  

Em reportagem na edição 420 da FOLHA DO LITORAL, de 16 de outubro de 2006, o Monge Daiju Bitti, de Ibiraçu, atribuiu a falta de representação à "irresponsabilidade política das lideranças em permitir o excesso de candidatos, por falta de articulação, fato que deixou a Região Polinorte sem representação". E ele tem base para falar sobre política. Com herança genética de berço, por ser filho do saudoso ex-prefeito de Aracruz por cinco mandatos, Primo Bitti, lamentou o resultado da eleição naquele ano, segundo ele péssimo para os municípios de Aracruz, Ibiraçu, Fundão e João Neiva.

  

A FOLHA DO LITORAL sabe do direito que cada um tem de tentar um mandato político, mas acha injustificada uma candidatura não testada pelas urnas, sem sequer passar pela eleição de vereador. Estreia em eleição proporcional é para quem tem grande reduto eleitoral em seu município e fora dele. O importante neste momento é deixar as vaidades de lado e pensar no município, em sua representação política. Reflitam, pré-candidatos!

 

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