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27/09/2019
Guerra na selva | Pedro Valls Feu Rosa

Amanhece na selva. Após uma noite de combates intensos, iluminada pelos traços da munição de alto calibre utilizada, os soldados percebem que estão cercados pelo inimigo. Desesperados, solicitam apoio aéreo – que chega na forma de um helicóptero equipado com metralhadoras.

 

O inimigo, porém, não se intimida e passa a alvejá-lo com tiros de fuzil de precisão. O brutal tiroteio é, então, interrompido pelo som de uma explosão mais forte – o helicóptero, atingido em um ponto sensível, cai e explode.

 

Uma coluna de veículos blindados é enviada ao local. Inferiorizado, o inimigo bate em retirada. No caminho leva prisioneiros – que executa logo em seguida a uma bárbara sessão de tortura. Segue-se uma cruel caça à unidade responsável pela execução, apenas encerrada após todos os seus integrantes terem sido mortos em violenta troca de tiros ou executados sumariamente.

 

O inimigo respondeu atacando um quartel com granadas de mão e metralhadoras. Acuados, somente restou aos soldados a fuga desordenada. Misturaram-se aos silvícolas da região em desabalada carreira – pelo caminho, largaram até o pavilhão nacional.

 

A reação, porém, não tardou. Apoiados por um grupamento blindado, os soldados retornaram em maior número. Após dois dias de combate feroz, eliminaram o inimigo. Comemoraram o feito disparando tiros para o ar e gritando palavras de ordem, sob o olhar apavorado dos silvícolas que por lá ainda estavam. Ali ao lado, porém, a guerra continuava – superada, fora apenas uma batalha, afinal.

 

Cada um de nós já soube de cenas assim, tendo como palco as maiores cidades deste país – a cada mais transformado em selva. Algumas delas aconteceram a poucos metros de nossas mais sagradas instituições. Ou de nossas casas.

 

Convidado a dar sua opinião sobre a realidade do Brasil, o chefe de Polícia de Nova York, William Bratton, assim falou: “o Judiciário não funciona. Os policiais não trabalham em harmonia com os promotores, que não atuam em conjunto com os juízes. A Polícia Militar não trabalha em consonância com a Civil”.

 

Talvez, em um momento no qual tanto se fala em complexas reformas, devêssemos prestar mais atenção a estas palavras tão simples e lógicas! Suspeito que esteja aí, no final das contas, o mais preciso diagnóstico de um problema que nos envergonha perante o mundo.

 

O autor é desembargador e presidente da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES)

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