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16/08/2019
Quando eu crescer, quero ser... | Rodrigo Alves de Carvalho

A criançada brinca no parquinho como se o dia nunca fosse acabar. E correm... Como correm essas crianças! Tão pequenas com seus pulmõezinhos tão pequenos e nunca se cansam. Encontram-se com outras crianças, misturam-se, não importa a cor, a raça ou classe social. “É criança?” Então pode juntar-se para brincar e brincar e brincar sem parar.

 

E a tal bola? Esse objeto redondo que enfeitiça e hipnotiza a criançada. A bola é perseguida, chutada, jogada e amada. Quanto amor uma criança pode ter por uma bola? É claro que nem toda criança gosta de bola, principalmente meninas, mas se tiver uma bola por perto, nem que seja apenas para apanhá-la, apalpá-la, apertá-la contra o peito a criança não resistirá. É um amor incondicional.

 

E tem criança de todo tipo: as arteiras que comandam as brincadeiras e se impõem, não têm medo de nada e geralmente aprontam estripulias. Já as quietinhas somente acompanham, esperam sua vez para brincar e a qualquer sinal de confusão ficam preocupadas e até se entregam por isso.

 

E por último, os birrentos. Esses não querem saber, se forem contrariados põem a boca no mundo e choram como ninguém, ou melhor, fazem isso por querer, só para desarmar outras crianças e até mesmo e na maioria das vezes, os adultos. Os birrentos são os que dão mais trabalho.

 

No parquinho há crianças de todo tipo... E brincam, brincam e brincam sem parar. A bola cruza o céu e uma tropa de meninos corre em disparada como num arrastão de alegria... Como é bom ser criança! No meu caso, como foi bom ser criança. E na verdade a gente acaba voltando à infância quando estamos perto da criançada brincando e sorrindo. Isso é bom. Faz-nos recordar a melhor época de nossas vidas.

 

Eu e meu sobrinho de sete anos, todo suado e sujo de areia de tanto brincar, estávamos indo embora do parquinho naquela tarde e ele me disse todo alegre: tio... Quando eu crescer, vou querer ser jogador de futebol! Achei a escolha boa, se bem que um tanto comum para um menino de sete anos. Depois pensei um pouco na conjectura de voltar à minha infância e sair de um parquinho de mãos dadas com meu tio e se fosse para escolher meu próprio futuro iria dizer: tio... Quando eu crescer, vou querer ser criança.

 

Rodrigo Alves de Carvalho é jornalista, escritor e poeta.

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