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19/07/2019
Placas para rir ou chorar | Pedro Valls Feu Rosa

Há alguns dias vi uma interessante coletânea de placas fotografadas em diferentes locais deste nosso Brasil. Algumas delas me chamaram vivamente a atenção. Inicio por uma que trazia os seguintes dizeres: “Barracões. Alugo. Ideal para sequestros. Sem janelas. Vizinhança discreta”. Uma outra placa, colocada na entrada de um boteco, assim dizia: “24/12 não estará aberto. Motivo: porque estará fechado”.

 

Havia também uma placa anunciando a presença de um cachorro no quintal de uma casa: “Cuidado. Cão marca fila. Brábu. Muito brábu”. E outra, parecida, alertava: “Entrada proibida. Cuidado. Vaca brava. Cão bravo. Búfalo assassino. Cerca elétrica. Empregado louco”.

 

Ainda na categoria dos avisos, encontrei esta: “Atensao. Aqui não é orinol”. Outra trazia uma súplica: “Pelo amor de Deus não jogar gatos e cachorros. Respeite a minha idade”. Havia também uma implorando: “Egüinha pocotó em volume estridente. Ninguém merece”.

 

Igualmente curiosas foram as placas que traziam protestos violentos: “Peste do inferno, não amarre cavalo nesta cerca”. Havia também as ameaçadoras: “Este Fusca tem dono. Si eu pegar o (impublicável) que anda amaçando ele eu vou amaçar a cara dele”. Segue outra bem mais violenta: “Haverá vida após a morte? Mexa na minha moto e você saberá”. E outra pior ainda: “Proibido jogar lixo. Sujeito a tiro”.

 

Pior do que a ameaça de tiro, porém, foi a mensagem que um outro cidadão colocou na entrada de seu terreno: “Estamos vigiando. Se nóis te pegar a jogar lixo aki vamos enxe seu (impublicável) com u mesmo”. Havia também a categoria das que ofendem brutalmente as regras de gramática. Começo por uma colocada em frente a um açougue: “Carni com Tocim 3,50. Pessa 5,00”. Uma outra placa anunciava cocos: “Água de coco 100% saúde. Hidrata e rejuvelhece”. Já uma terceira placa divulgava os serviços de uma oficina: “Cerviso de tratoris em motagem de motoris”.

 

Na categoria de placas de trânsito, uma dizia: “você está em contra-mão de direção. O RISCO É SEU”. Outra sinalização assim indicava: “Estacionamento para deficiente físico. Eventualmente usado por deficiente mental”. Uma terceira alertava: “Cruzamento Perigoso. Reduza a velocidade. Use camisinha”. Uma quarta assim avisava: “Por atos de vandalismo túnel sem iluminação. Reduza a velocidade e acenda os faróis”.

 

Por falar em vandalismo e crimes, havia uma com os seguintes dizeres: “Atenção: eu sei quem foi o (impublicável) que me roubou o rádio e tenho uma testemunha que o vio roubar. Para ivitar problemas é favor repor o rádio no seu lugar”. Outra: “Na noite de 19/8/2002 foi roubado deste pasto 3 novilhos. Você, ladrão e cara-de-pau, foi mal-educado e mau-caráter, indivíduo sem qualidade, não merece o título de homem, deve ser chamado de rato branco ou ladrão barato”.

 

Enquanto isso um desesperado colocou, na porta de sua casa, uma faixa na qual lia-se: “Ladrões, esta semana fomos assaltados 2 vezes. Gentileza aguardarem até adquirirmos novos equipamentos para esta casa”. Não foi diferente a atitude dos administradores de uma obra pública: “Comunicado: ilustríssimos senhores ladrões de Santana do Ipanema e região. Esta obra está parada por falta de dinheiro, mas não está abandonada. Todo o material que aqui estava já foi devidamente roubado. Solicito a gentileza de não danificar os madeirites, paredes, cadeados e fechaduras”.

 

Havia também placas de protesto. Começo por uma que dizia: “Celular. Aqui não tem sinal. Nem Oi. Nem TIM. Nem Claro. Nem Escuro. Nem Vivo. Nem Morto. Operadoras, onde estão vocês? Aqui também é Brasil”. Finalmente, no campo da política, uma faixa dizia: “Trocamos voto por asfalto”.

 

Diante de todas estas placas espalhadas pelo nosso Brasil, não posso deixar de pensar naquele pensamento filosófico segundo o qual um espírito observador vê a vida como uma comédia, e um espírito sensível como uma tragédia.

 

O autor é desembargador e presidente da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES)

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