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22/02/2019
Luto, um mundo à parte | Sandra Freitas

Quanto luto no nosso país. Quantas tragédias levando pessoas a esse mundo à parte. O luto nos tira do mundo real. Falo especificamente do luto pela perda de alguém muito próximo que se vai num segundo. "Ele estava vindo para almoçar", foi o que disse a colega Veruska Seibel, viúva do jornalista Ricardo Boechat, que esperava pelo marido naquele fatídico dia. E ele se foi num segundo e pra sempre.

 

E num segundo nós também vamos embora levados pelo luto a um mundo desconhecido. Vamos sós, pois mesmo rodeados de gente, sentimo-nos abandonados. As pessoas não entendem a dimensão de nossas dores físicas e emocionais. Neste mundo nossas lágrimas nos impedem de enxergar a vida como antes. Tudo fica embaçado.

 

A vida lá fora segue de uma forma irritante, enquanto estamos estagnados nesse mundo amedrontador. Nas tragédias anunciadas ou não, perdemos muito mais do que pessoas que amamos.  Perdemos a nós mesmos e muitas vezes perdemos a Deus da forma como o víamos. Por que Deus não livrou meu filho, meu marido?  Dediquei um capítulo inteiro no meu livro "Acredite no Seu Milagre" ao luto. 

 

Quando perdi meu primeiro marido, Eloísio Guzzo, num acidente de carro em 2005, passei a viver nesse mundo à parte. Sentia necessidade de encontrar pessoas que viveram lutos intensos. Precisava saber se elas também sentiram dores no peito, sensação de desmaio, vontade de morrer, dificuldade para comer e dormir, raiva, culpa, medo… Saber o que elas fizeram para aliviar. Saber se eu iria conseguir sobreviver. No livro conto tudo em detalhes. Sei que muitos corações feridos se identificam e por um instante se sentem acolhidos.

 

Hoje, olhando para trás, continuo sem explicações. Mas vejo que Deus estava comigo mesmo quando achei que havia me abandonado. No livro de C.S. Lewis, A Anatomia de uma Dor, ele diz: "Deus sempre soube que meu templo era um castelo de cartas. A única forma de fazer-me compreender o fato foi colocá-lo abaixo".

 

O luto destrói nossos castelos. A boa notícia é que conseguimos reconstruí-los. Totalmente diferentes do que sonhamos, mas, com certeza, bem mais sólidos. Encarar nossa finitude nos leva também a liberdade e a leveza. Entendemos na marra, que não controlamos nada, e que podemos e devemos nos soltar e aproveitar mais o aqui e agora, que, na verdade, é tudo que temos. Aprendemos que o sofrimento faz parte da humanidade. Hoje sou eu, amanhã pode ser você, então vamos nos acolher, estamos no mesmo barco.

 

Saiba: o que você está vivendo hoje faz parte do capítulo que Deus está escrevendo para sua história. Pode não fazer nenhum sentido pra você, mas pra Ele faz. Deus é o autor da sua história e Ele tem um propósito para todas as coisas. Acredite no Seu Milagre e conte comigo.

 

A autora é jornalista, escritora e líder RenovaBR

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