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11/08/2017
Marcela Giacomin Pandolfi. Uma estudante movida pela força de vontade

Por Jasleon Humberto (transcrito da revista Desejo)

 

Exemplo de determinação e superação. Assim pode ser definida a estudante universitária Marcela Giacomin Pandolfi, 19 anos. Com total deficiência visual desde os seis anos de idade devido a um câncer, ela – com apoio constante da família – não deixou que a sua limitação fosse obstáculo para buscar conhecimento. Com afinco e dedicação aos estudos, a jovem venceu cada etapa da educação básica até ingressar no ensino superior, no ano passado. Hoje, está no terceiro período do curso de Direito das Faculdades Integradas de Aracruz (FAACZ).

 

Nascida no município de João Neiva, Marcela reside no distrito de Guaraná, em Aracruz. Fora da rotina acadêmica e do recém-iniciado estágio na Fibria, ela vai à Academia e faz Pilates. Mas, o que gosta mesmo de fazer é se dedicar aos estudos. Dona de uma personalidade forte, ela tem mesmo o perfil de advogada, como os mais próximos sempre lhe confidenciavam; aliás, foi o que a levou a se interessar pela graduação em Direito.

 

Filha do produtor rural Marcos Luiz Pandolfi e da professora de educação infantil Célia Domingas Giacomin Pandolfi, a jovem tem os pais e a única irmã como os seus principais incentivadores. Alfabetizada em Braile, ela cursou a maior parte do ensino fundamental e todo o ensino médio no Centro Educacional de Aracruz (CEA).

 

Marcela conta que seu câncer foi descoberto quando tinha um ano e oito meses. Desde então a família buscou tratamentos, inclusive em São Paulo e nos Estados Unidos, mas o comprometimento total de sua visão não pôde ser evitado. A adaptação a uma nova realidade, afirma, foi mais difícil para as pessoas ao seu redor. Aos seis anos, não tinha maturidade ou discernimento suficiente para entender completamente tudo que estava acontecendo. À medida que fui compreendendo, me deixei mover pela força de vontade para seguir adiante e enfrentar os desafios do dia a dia", narra.  

 

O ensino da leitura em Braile, locomoção, estimulação e coordenação motora em uma organização de Vitória foram determinantes para a jovem. Não fosse a necessidade de enfrentar uma grande fila de espera para obter material didático em Braile, o processo de aprendizagem de Marcela poderia ter sido mais facilitado na educação básica. Sem o recurso especial, contava com o apoio dos colegas e professores para compreender os conteúdos disciplinares em sala de aula. Em casa, atentava-se à leitura dos familiares para assim estudar para as avaliações.

 

A interação com outros estudantes, recorda, foi mais difícil nas séries iniciais do ensino fundamental. "Era algo novo tanto para mim quanto para os meus colegas. Lidar com as minhas limitações no ambiente escolar foi um processo de adaptação para todos nós. De lá para cá, a convivência sempre se deu de forma natural", destaca a estudante universitária.

 

Para usar o celular e o computador, Marcela conta com a ajuda de programas que fazem a conversão da escrita para áudio. No celular, no caso dela, a marca já possui um sistema próprio para deficientes visuais, que precisa apenas ser ativado. Já no computador, ela usa um programa chamado "DOSVOX", que foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Visando sua independência e autonomia, principalmente, Marcela quer, cada vez mais, continuar lutando contra os obstáculos e não tem dúvida: é capaz como qualquer outra pessoa. Ainda está indecisa quanto a que carreira seguir após se formar, mas independente da escolha que venha a fazer, será sempre um exemplo de que tudo é possível àquele que crê.

 

Inclusão na FAACZ: alegria e desafio

Coordenador do curso de Direito da FAACZ, Wagner José Elias Carmo destaca que, para a instituição de ensino, receber a estudante Marcela Giacomin Pandolfi foi uma alegria e também um desafio. "Alegria porque mostra que podemos levar a nossa matriz curricular a todos os alunos, independente de suas limitações. E desafio porque, através da Marcela, a FAACZ abre definitivamente suas portas para a inclusão. Aprendendo com ela um novo jeito de olhar a educação superior, estamos revendo nossa estrutura e nos reinventando continuamente", destaca o educador.

 

Na FAACZ, Marcela tem à disposição a chamada "sala de recursos", local em que tem acesso a um computador com softwares específicos, além de uma impressora em Braile, que a auxiliam nos estudos. Sempre atenta às questões de acessibilidade, a instituição também está ampliando os pisos com sinalização táctil, além de investir no treinamento contínuo do corpo docente para bem receber alunos portadores de necessidades especiais.

 

A diretora acadêmica da FAACZ, Adriana Recla, lembra que a instituição está sempre buscando compreender as necessidades de Marcela para ajudá-la tanto nos seus limites quanto nas suas possibilidades, e reforça: ela representa para nós uma oportunidade de revisarmos o nosso modo pedagógico, a dinâmica do ensino e as oportunidades que podemos oferecer para todos, porque esta é a nossa tarefa: oferecer a todos um ensino de qualidade, ético e de compromisso".

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