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27/11/2015
AS LÁGRIMAS AMARGAS DE UM RIO QUE ERA DOCE

Quem pagará por isso?

Por Danilo Salvadeo

 

Se um pobre pescador ou qualquer pessoa se atreve a pescar um peixe ou catar um caranguejo em período de defeso, é imediatamente multado, tem o material apreendido, foto nos jornais e, às na maioria das vezes, vai para a cadeia dividir cela com marginais e traficantes. Agora, matar um rio inteiro, destruindo a sua fauna e flora ribeirinha, e depois pedir desculpas pela televisão, não tem punição.

 

Bem, pelo menos no Brasil, país onde agressões ambientais desse tipo não são punidas com cadeia, que é o local aonde os diretores da Samarco deveriam estar agora. Eles não só mataram os peixes, mas também ceifaram vidas humanas, destruíram lares e o meio de vida de muita gente, comprometendo a subsistência de gerações futuras. Mataram o rio Doce com dióxido de ferro, um dos metais pesados que formam a lama assassina.

 

A Samarco foi condenada a pagar multa, mas no Brasil se sabe que grandes empresas, colaboradoras milionárias de campanhas políticas, não pagam nada. Ou são anistiadas ou gozam de um Refis de última hora. Foi um erro sem tamanho colocar nove quilômetros de boias para tentar conter a lama tóxica que veio de Mariana (MG). Biólogos que trabalharam em Regência já sabiam da inutilidade do artefato. A Samarco cometeu um crime duplo: contra a humanidade e os direitos humanos.

 

O naturalista André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha em Santa Cruz, na orla de Aracruz, disse que isso é brincar com a inteligência dos ambientalistas e da população. Não somos idiotas ou otários para aceitar isso. Observando as fotos da tal barreira de boias, um olhar atento vê que elas não funcionaram em nada. Tanto que a Justiça mandou retirar o monstrengo.

 

E ainda teve diretor da Samarco, que a presidente Dilma chamou de ‘São Marcos’, na visita a Colatina, falando para a imprensa que a eficiência foi de 80%. Se foi, em que local esta lama foi depositada? Este diretor deve achar que todo mundo acredita em Papai Noel! As boias foram simplesmente engolidas pelo mar de lama, que agora ameaça as praias de Linhares a Vitória, passando por Aracruz e Serra. É o prenúncio de um verão com a água do mar envenenada pela irresponsabilidade.

 

As barragens da empresa em Mariana (MG), segundo técnicos que só agora saíram de seus casulos e não fizeram o alerta no tempo devido, estavam para se romper há 18 meses. Empurraram com a barriga até o desastre ocorrer. E oito dias depois, a presidente Dilma Roussef lança decreto protecionista considerando o rompimento de barragens como acidente provocado por causa natural. Natural uma ova (não a dos peixes assassinados pela Samarco), Dilma!

 

Observem as fotos que ilustram esta reportagem e respondam: e agora? Principalmente o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço, que disse ser a Samarco também vítima da tragédia. Como? Ouviram bem? Vítima? Ora, deputado...

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