O triste fim de Sabrine, assassinada pelo marido em distrito de Aracruz

O autor do crime (que a lei determina que se chame de suspeito, mesmo preso em flagrante), foi o ex-marido de Sabrine, Alan Pinto Miranda, de 29 anos, preso a autuado em flagrante pelo crime de feminicídio qualificado por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima

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Sabrine, que foi sepultada em Sooretama na tarde de hoje 26, planejava se mudar para uma cidade de Minas Gerais, onde moram parentes dela, com o objetivo de fugir do ex-marido

A pacata localidade de Jacupemba, em Aracruz, e que fica a 25 km de Linhares, viveu uma manhã de terror na quarta-feira 25, quando a comerciária Sabrine Paixão de Lírio, de 27 anos, foi assassinada a facadas dentro de um provador da loja de roupas em que trabalhava no bairro São José, naquele distrito aracruzense.

O autor do crime (que a lei determina que se chame de suspeito, mesmo preso em flagrante), foi o ex-marido de Sabrine, Alan Pinto Miranda, de 29 anos, preso a autuado em flagrante pelo crime de feminicídio qualificado por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima. Segundo investigações da Polícia Civil, a motivação do crime foi que ele não aceitava o fim do relacionamento, como se a mulher fosse sua propriedade.

Sabrine, que foi sepultada na tarde de hoje 26, planejava se mudar para uma cidade de Minas Gerais, onde moram parentes dela, com o objetivo de fugir do ex-marido. Decidida, ela havia pedido demissão do emprego que tinha em uma padaria, mas não deu tempo para concretizar o seu plano.

Dona de loja detalha crime em Aracruz e faz alerta
À TV Gazeta Norte, a empresária Andreia Baldi Moreira disse que presenciou o assassinato e que ficou em estado de choque. Ela estimula mulheres a denunciarem situações de violência antes que seja tarde. A empresária contou que as duas estavam no estabelecimento quando Alan Pinto Miranda chegou já com uma faca em punho e fazendo ameaças. A ação do homem foi rápida e a mulher não conseguiu gritar por socorro.

A vítima levou quatro facadas no corpo e caiu dentro do provador, morrendo no local. Andreia disse que a cena que presenciou foi assustadora e que ficou em estado de choque após o crime. “Foi tudo muito rápido e eu presenciei toda a cena. Infelizmente eu não pude gritar por socorro, e quando ele chegou já era tarde. Quando eu fui falar com o Alan, ele me disse para sair, porque também me esfaquearia. Parecia um filme de terror”, diz.

Rompimento
Sabrine havia rompido o relacionamento que tinha com Alan em dezembro do ano passado, mas ele não aceitava o término. O casal ficou junto por 14 anos e teve duas filhas: uma de 10 e outra de 8 anos. Mesmo com medida protetiva o impedindo de se aproximar da jovem, o suspeito continuava fazendo ameaças e chegou a invadir a casa onde a vítima morava.

Após o crime, Alan tentou fugir de carro para o interior do município, mas foi preso na mesma tarde após ser abordado pela Polícia Militar. Segundo a Polícia Civil, ele foi autuado em flagrante por feminicídio qualificado por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima. O suspeito foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz.

O delegado André Jaretta, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Aracruz, disse que, em depoimento, o suspeito contou que queria voltar com o relacionamento, mas ela não aceitava e sentia ciúmes dela. Disse ainda que agiu com raiva, mas não tinha intenção de matá-la. “A versão dele é que eles tinham rompido a relação, que durou 14 anos, e a vítima não queria reatar. Ele queria voltar para a família, mas ela não aceitava. Disse ainda que sentia muito ciúmes dela e em um momento de raiva acabou cometendo o crime. Ele afirma não se lembrar quantas facadas deu, mas que não tinha intenção de matá-la. Foi um momento de ódio, que ele sentiu”, disse o delegado.

“Mulheres, vamos ter consciência”, alerta empresária
Abalada, a empresária chama a atenção de mulheres que sofrem com relacionamentos abusivos para que crimes como esse não aconteçam: “Mulheres, vamos ter consciência. Não deixem os maridos te agredirem. Abram medida protetiva, procurem a polícia para não ser mais uma Sabrine, entre outras mulheres que são vítimas diariamente”.

Andreia disse que Sabrine trabalhava para ela e era sua amiga. A vítima passou a trabalhar na loja após pedir demissão do emprego que tinha em uma padaria. “Ela fazia freelancer para mim, era também minha cliente e minha amiga, uma pessoa extraordinária. As filhas dela me amam, nem sei como vou olhar para as crianças. Não consigo falar mais”, relatou, aos prantos.

Histórico de brigas
O pai do suspeito já viu o casal brigar e amigos da vítima disseram que ele sempre foi ciumento. Os dois haviam rompido a união em dezembro do ano passado. Desde então, Alan passou a importunar Sabrine e fazer ameaças com o uso de faca. No último dia 3 de janeiro, a diarista fez um boletim unificado e conseguiu uma medida protetiva contra o ex-marido.

Na última semana, no dia 20, a jovem voltou a ligar para a polícia relatando que Alan havia invadido a casa dela e quebrado a máquina de lavar. A polícia foi até o local, mas não o encontrou. O suspeito foi intimado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, mas ainda não havia comparecido à polícia.

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