Jurong inicia a construção do navio antártico Almirante Saldanha da Gama

A previsão é que o navio seja entregue à Marinha do Brasil em 2025, com a expectativa de geração de 600 empregos diretos e seis mil indiretos

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Projeção do NapAnt

Com informações da Marinha do Brasil

Em cerimônia do primeiro corte de chapa do casco, realizada na terça-feira 9, o Estaleiro Jurong Aracruz iniciou a construção do Navio de Apoio Antártico (NapAnt) para a Marinha do Brasil, batizado com o nome de Almirante Saldanha da Gama. Participaram do evento os almirantes de esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa (diretor-geral do Material da Marinha) e Eduardo Machado Vasquez (secretário-geral da Marinha), os vice-almirantes Celso Mizutani Koga (diretor de Gestão de Programas da Marinha) e Edésio Teixeira Lima Júnior (diretor-presidente da Emgeprom), além do presidente do Jurong, Thangavelu Guhan.

A chapa de aço cortada servirá para fabricar o primeiro bloco de uma série de 12 blocos que, uma vez unidos, formarão o casco e a superestrutura do navio, que terá dimensões de 103,16 metros de comprimento, 18,5 metros de largura, calado de 6,3 metros e deslocamento de 6.804 toneladas. Com propulsão diesel-elétrica, poderá abrigar uma tripulação de 95 pessoas, incluindo 26 pesquisadores.

A previsão é que o navio seja entregue à Marinha do Brasil em 2025, com a expectativa de geração de 600 empregos diretos e seis mil indiretos. O projeto envolve a Marinha do Brasil, a Emgepron e a Polar 1 Construção Naval SPE, Sociedade de Propósito Específico constituída pelo Estaleiro Jurong Aracruz e a SembCorp Marine Specialised Shipbuilding PTE. O projeto está orçado em R$ 740 milhões.

O NApAnt substituirá o NApOc Ary Rongel, que foi incorporado à Marinha do Brasil em abril de 1994 e, a partir de então, a cada ano, opera em média durante seis meses na Antártica. O navio contará com os seguintes equipamentos: ecobatímetro monofeixe de tripla frequência, com capacidade de obter dados de até 10 mil metros de profundidade; sensor de movimento para o sistema de oceanografia; sensor giro-GPS para o sistema de oceanografia (ADCP) e meteorologia; perfilador de correntes por efeito doppler acústico (ADCP) com frequência de 75 KHZ e fixo no casco; termossalinógrafo e receptor de imagens meteorológicas de satélites em órbita polar.

O navio terá capacidade para navegar em campos de gelo, possuindo casco em formato específico e reforçado, particularmente na proa, para abrir caminho e quebrar as placas de gelo, utilizando o próprio peso e, por vezes, o turbilhonamento provocado por seus propulsores.

Antártica ou Antártida?

A Marinha do Brasil chama de Antártica, até porque o nome é Estação Antártica Comandante Ferraz. No passado era mais comum usar Antártida porque é como está escrito em documentos oficiais, como o próprio tratado que previu a ocupação do continente gelado. Atualmente é assim: alguns estudiosos acham “Antártica” mais correto, porque surgiu de um termo grego que quer dizer “antiártico”, ou “do outro lado do ártico”. Como o Ártico é no Polo Norte do planeta, o antiártico é no Polo Sul. E assim ficou Continente Antártico. A Antártica é uma zona politicamente neutra e que não pertence a nenhum país, sendo, sobretudo, uma área de preservação científica. Embora não haja habitantes permanentes, cerca de quatro mil cientistas realizam pesquisas no continente durante o verão. A Antártica possui diversos recursos naturais, como chumbo, prata, cobre, petróleo, gás natural etc., no entanto, a extração mineral também foi proibida com o Tratado da Antártica. Devido às condições climáticas de -30ºC a -65ºC, as espécies vegetais que se desenvolvem na região se restringem a musgos, liquens e outras plantas inferiores. Já em relação às espécies de animais, existem pinguins, albatrozes, petréis, focas, lobos-marinhos, baleias, entre outros.

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