Comunidade Terapêutica Betânia: a gestação de um novo homem

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Sede da Comunidade Terapêutica Betânia. Foto: Divulgação

Baseada no princípio evangélico “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10), a Comunidade Terapêutica Betânia, sediada em Aracruz, valoriza e defende a vida no desenvolvimento de um trabalho pautado na prevenção, recuperação e reinserção social do dependente químico, resgatando sua autoestima, confiança, cidadania, dignidade e principalmente respeito por si mesmo, levando-o a perceber que pode viver sem necessidade do consumo de drogas ilícitas. Desde a inauguração do projeto, que completa nove anos no próximo dia 27, cerca de 600 homens maiores de 18 anos foram acolhidos. Em forma de internato, o tratamento tem duração de nove meses, o tempo de gestação de um novo homem.

Reconhecida como “Centro de Tratamento e de Recuperação para Dependentes Químicos”, a Comunidade Betânia é uma iniciativa das paróquias da Área Pastoral BR-101 Sul da Diocese de Colatina: Coração Eucarístico de Jesus, Imaculada Conceição, Santa Teresinha do Menino Jesus e São João Batista, de Aracruz; São José, de João Neiva, e São Marcos, de Ibiraçu. Em meio a uma grande área verde, o local – na altura do quilômetro 16 da rodovia ES-257 – conta com espaço físico adequado e ambiente confortável que favorecem a integração, a meditação e a elevação da espiritualidade, assegurando a eficiência dos métodos ofertados. Da ideia de criação até a inauguração do projeto em 2012 foram quatro anos de intenso trabalho que envolveu toda a sociedade civil organizada, além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Com capacidade para acolhimento de até 45 internos, a Comunidade Betânia oferece um programa terapêutico completo elaborado e desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por 13 profissionais fixos (um psiquiatra, um psicólogo, dois assistentes sociais, uma enfermeira, um terapeuta, cinco monitores, um assistente administrativo e um coordenador) e dezenas de voluntários (aposentados, advogados, bancários, médicos, militares, professores, etc.). E apesar de ser da Igreja Católica através da Cáritas Diocesana de Colatina, o projeto acolhe todas as denominações religiosas, independente de crença ou credo, trabalhando a espiritualidade e não a religiosidade.

Presidente da Comunidade Terapêutica Betânia, o padre Antonio Luiz Pazolini Pandolfi explica que “a internação é na modalidade ‘voluntária’ e todos os trabalhos desenvolvidos dentro do projeto motiva os internos a voltarem seu olhar para Jesus Cristo, modelo de vida a ser seguido (Jo 14,6)”. O religioso reforça que cerca de 600 internos já foram atendidos pela iniciativa. “Louvo a Deus por todos que conseguem entender e atender ao Convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11,28-30). Grande parte destas pessoas já voltaram para suas famílias, recuperam seus vínculos e estão no mercado de trabalho”, ressalta.

O projeto é mantido financeiramente através de termo de parceria/fomento com as prefeituras de Aracruz, Ibiraçu e João Neiva, entidades sem fins lucrativos como o Rotary Club, as seis paróquias da Área Pastoral BR-101 Sul e das pessoas de coração que formam a sociedade civil. “Não podemos ter um olhar diferenciado para com os dependentes químicos. Somos todos iguais perante o nosso Deus e devemos ter compaixão para entender a fraqueza de muitos, contribuindo para que encontrem um caminho de volta. Toda a ajuda é necessária para que torne viável a superação do vício”, pontua Dôra Castoldi Soela, vice-presidente da Comunidade Betânia.

O TRATAMENTO

A Comunidade Terapêutica Betânia atende homens maiores de 18 anos com grau leve de transtornos psíquicos que procuram voluntariamente o tratamento oferecido. No formato de internato, esse tratamento dura 270 dias (nove meses) e é organizado em três ciclos: desintoxicação, interiorização e ressocialização. “Ao final do processo de reconstrução de vida e de reflexão neste local, como no Monte Tabor (Lc 9,28-36), o residente é convidado a olhar os verdadeiros valores de sua vida. Este olhar o conduz a um profundo exame de consciência para detectar sombras e descobrir as luzes que estão em seu próprio interior. É convidado a olhar a planície e ver horizontes que se abrem diante de si, descer do monte, porém, com um novo olhar, para sua reinserção na família, que se preparou espiritual e psicologicamente para acolhê-lo, bem como na sociedade para rever suas relações e, gradativamente, se reintegrar na vida de comunidade”, explica o padre Antonio Luiz Pazolini Pandolfi, acrescentando que ao receber alta terapêutica após nove meses, o assistido ainda é acompanhado por 12 meses pelos profissionais que estiveram com ele ao longo do tratamento.

O NOME BETÂNIA

O nome Betânia vem do hebraico e quer dizer lar dos pobres. A cidade de Betânia era o lugar onde moravam os amigos de Jesus (Maria, Marta e Lázaro) e, comumente Ele ia para lá a fim de descansar e refazer as forças. Segundo o Evangelho de Lucas, foi em Betânia que Jesus abençoou os discípulos e, à vista deles, subiu aos céus. A Comunidade Terapêutica Betânia também é um lugar de descanso das fadigas da vida e dos infortúnios causados pelas drogas, onde os residentes têm uma excelente oportunidade de rever seus projetos, repensar suas opções, beber na fonte da espiritualidade (centrado na Palavra), ganhando fôlego para viver no Espírito Santo de Deus e serem arrebatados para uma nova vida.

ARTES BETÂNIA

Formado por um dedicado grupo de mulheres, o ‘Artes Betânia’ é um dos grandes alicerces da Comunidade Terapêutica Betânia. De forma voluntária, elas confeccionam uma série de trabalhos artesanais, além de repassar esse conhecimento aos internos através de oficinas que ajudam a resgatar a autoestima dos mesmos. São lindas peças decorativas feitas à mão que viram renda para o projeto. Uma das voluntárias, Célia Trazzi ressalta que a iniciativa também trabalha a autoestima das colaboradoras, uma vez que são capazes de colocar suas habilidades e seus dons para servir. “Servir é mais gratificante para quem serve do que para quem é servido”, diz.

“O ‘Artes Betânia’ foi criado para ajudar a Comunidade Betânia no resgate do ser humano da dependência química. Produzimos com muito amor e dedicação peças artesanais e religiosas que são vendidas em nossos bazares. Todo material que usamos é advindo de doações. Gratidão a Deus e a todas as pessoas que colaboram com nossos trabalhos na prática de amor ao próximo. Divulgar, comprar, vender, doar, sugerir ideias são algumas maneiras de colaborar conosco”, enfatiza Raldiná M. Marinho, revelando que em breve haverá um bazar permanente do ‘Artes Betânia’ no pátio da Igreja Matriz São João Batista.

PADARIA BETÂNIA

Montada nas dependências da Comunidade Terapêutica Betânia, a padaria promete ser outra grande fonte de renda do projeto. O espaço já começou a funcionar. Por hora, a maior parte da produção é destinada ao consumo interno. Alguns produtos como biscoitos e mentiras já são comercializados no Oriundi Supermercados, que é parceiro de longa data da Comunidade Betânia. A ideia agora é aumentar as vendas externas. Para isso, um curso de panificação de fabricação de massas ofertado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) deve ter início neste mês.

DEPOIMENTOS

“Todos os projetos sociais voltados para a recuperação de dependentes químicos alcançam resultados muito melhores quando envolvem instituições movidas pelo voluntariado. Isso ocorre devido ao comprometimento e a determinação das pessoas envolvidas nesse pleito. A Comunidade Terapêutica Betânia é um exemplo disso. O grande sucesso do projeto está na doação de amor e carinho dos voluntários e dos funcionários que fazem um trabalho diferenciado em prol de seres humanos que necessitam de acolhimento”.
Aderjânio Pedroni, administrador do Shopping Oriundi

“Parabenizamos a Comunidade Terapêutica Betânia pelos nove anos de um trabalho de excelência sempre baseado no amor ao próximo. Como faz o projeto, é importante que busquemos contribuir com o próximo que está próximo de nós. Se cada cidadão fizer sua parte junto a sua comunidade, haverá menos desafios sociais”.
Débora June e José Ambrósio da Fonseca, proprietários da Jafesta

“Somos parceiros e apoiadores da Comunidade Terapêutica Betânia desde a inauguração. Todos os internos, antes de serem inseridos no projeto, passam pelo Laboratório Léllis e realizam uma bateria de exames para avaliação médica, dentre eles: vários exames de hepatites, doenças sexualmente transmissíveis, hemograma, glicose e outros. Todos esses exames são doados pelo Léllis sem custo para a Comunidade Betânia, como forma de apoiar e ajudar na manutenção desse importante projeto em nossa cidade e que salva tantas vidas, devolvendo a autoestima e a confiança aos internos, às famílias e principalmente na reintegração deles à sociedade. Como cristãos batizados somos todos co-responsáveis nesse e em tantos outros projetos que, com muitos desafios, ajudam a reabilitar pessoas. Assim, nós fazemos a diferença com Responsabilidade Social. Feliz aniversário, Comunidade Betânia”.
Monica Granatto (Laboratório Lellis)

“A Comunidade Terapêutica Betânia representa uma oportunidade de transformação de pessoas que já estavam desacreditados pela própria família a refazer sua história de forma grandiosa. O que eu sempre falo nas palestras que ministro por lá é que eles devem enxergar o que aconteceu na vida deles como algo que veio para edificar outras pessoas. Eu acredito realmente que pessoas que passam por algo muito desafiador podem ser usadas por Deus para transformar a vida de outras pessoas. Apoio os projetos sociais e o ‘Betânia’ é um dos projetos que eu não só contribuo como doo meu trabalho. Acredito realmente nas pessoas que hoje estão lá, pessoas que um dia perderam suas essências, mas que acreditaram que podem ter um futuro melhor e estão buscando se reencontrar para modificar suas vidas. Acredito no ser humano! Acredito nos projetos sociais! Creio que tudo tem propósitos em nossas vidas, nada é por acaso e quando entendemos que é por causa de um grão de areia que surge ma pérola, podemos entender que é nos desafios que surgem pessoas que fazem a diferença no mundo. Pessoas precisam de pessoas e ali na Comunidade Betânia é isso que encontramos, pessoas que ajudam outras pessoas a encontrar um novo caminho para sua vida. Se cada um de nós fizermos nossa parte podemos fazer desse mundo um lugar maravilhoso para viver”.
Geanes Goularte, proprietária da Agronorte

“A Comunidade Terapêutica Betânia desenvolve um trabalho social de muita importância em Aracruz e Região. Parabenizo todas as pessoas engajadas para o sucesso deste projeto. O Oriundi supermercados abraça essa causa porque ela realmente faz a diferença. É com a certeza de que muitas outras vidas serão transformadas que continuaremos sendo parceiros”.
Penha Selvatici, gerente do Oriundi Supermercados

“A Comunidade Betânia, antes Projeto Betânia, foi idealizada pelo padre José Valdecy Romão e hoje é coordenada pelo padre Antonio Luiz Pazolini Pandolfi. No início, foi doado um terreno na região de Taquaral, mas depois foi escolhido outro local onde se encontra hoje, por ser mais próximo do Centro de Aracruz. Os trabalhos começaram com várias reuniões entre representantes das paróquias de Aracruz, Ibiraçu e João Neiva, que fazem parte da Área Pastoral BR-101 Sul da Diocese de Colatina. Após nove anos do início das atividades, passaram por esta Comunidade muitas pessoas, onde a maioria conseguiu nova vida, readaptada à família, ao trabalho e a sociedade, antes tumultuada pelo uso de drogas ilícitas. Sou grato a Deus por poder contribuir como profissional da saúde, tentando dar aos internos um pouco de alívio nas suas dores. Parabéns a todos que lutam por uma vida melhor. Parabéns Comunidade Betânia por ser um agente transformador de vidas”.
Dr. Gilmar Gaburro

COMO CONTRIBUIR?

Mais do que recursos financeiros (Banco Banestes, agência 111, conta corrente 23.173.065), a Comunidade Terapêutica Betânia recebe outras doações como alimentos, móveis, material de construção, roupas, material para artesanato, material de escritório e ração animal. “Tudo aqui é bem recebido e aproveitado”, salienta Dôra Castoldi Soela, que compõe a diretoria do projeto ao lado do padre Antonio Luiz Pazolini Pandolfi (presidente), Evania Giacomin Devens (secretária) e Janair Campos (tesoureira). Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (27) 3256-1456, 2237-8329 e 99532-0133.

A reportagem é um oferecimento de:

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