Carambola, a fruta que pode matar

A fruta tem uma neurotoxina, chamada caramboxina, que atua no sistema nervoso quando não é filtrada pelos rins

0
137
Foto Ilustrativa: Divulgação

Você sabia que uma pessoa com problemas renais não pode comer carambola, aquela fruta de quintais e pomares caseiros? Ela tem uma neurotoxina, chamada caramboxina, que atua no sistema nervoso quando não é filtrada pelos rins. Pois é, pouca gente sabe disso e ao ingeri-la passa mal e até pode morrer. Além do mais, como a carambola possui ácido oxálico, que pode causar cálculos renais, a recomendação é que as pessoas a consumam com moderação.

Ingerida em grandes quantidades, a ‘caramboxina’ pode levar pacientes à morte. Cientistas dizem que a fruta pode provocar problemas neurológicos. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) descobriram que a caramboxina pode provocar crise de soluço, epilepsia, convulsões e até levar à morte.

A caramboxina existe em baixa concentração na fruta, mas é tóxica. Em pessoas saudáveis, ela é facilmente eliminada pelo organismo. Mas em pacientes com problemas renais ela se concentra no organismo e causa sintomas como soluços constantes por várias horas, confusão mental, convulsão e sem tratamento adequado, pode levar à morte, explica o Nefrologista Leandro Spadette, médico que atende em Aracruz. Dr. Leandro completa: pessoas sem problemas nos rins, se comerem ou tomarem o suco da carambola em grandes quantidades, podem desenvolver problemas neurológicos e insuficiência renal aguda.

O nefrologista Miguel Moysés perdeu um paciente na década de 90, que morreu depois de sofrer várias convulsões e ficar em coma. Foi quando o médico decidiu estudar a relação entre o consumo da carambola e a intoxicação de pacientes com insuficiência renal.

Risco de morte

A insuficiência renal crônica é uma doença silenciosa. Nem todo mundo que é doente dos rins sabe que tem o problema. Estima-se que existam mais de dois milhões de pessoas no Brasil com graus diferentes de doença renal crônica. Relevante parte desses pacientes não apresenta qualquer sintoma. Somente por meio da dosagem sanguínea da creatinina é possível identificar a insuficiência renal nos pacientes assintomáticos. Idosos, hipertensos, diabéticos, pacientes que fazem uso frequente de anti-inflamatórios, portadores de doença renal policística e pacientes com cálculo renal de repetição fazem parte do grupo de risco e podem ter algum grau de falência renal sem nem ao menos suspeitarem.

Cuidado com a fruta

O perigo da carambola não está restrito apenas aos pacientes com insuficiência renal. Nos últimos anos têm sido descritos cada vez mais casos de intoxicação pela carambola em pacientes previamente saudáveis e jovens. Esses casos estão geralmente associados a um grande consumo da fruta. Os pacientes saudáveis que se intoxicam pela carambola costumam apresentar, além dos sintomas neurológicos, também quadros de insuficiência renal aguda provocados pela deposição renal de cristais de oxalato, um tipo de sal presente em grande quantidade na carambola.

Quantidade tóxica

O consumo de carambola em pacientes com insuficiência renal é proibido. Há casos graves de intoxicação descritos após o consumo de apenas 200 ml de suco ou menos da metade de uma fruta. Nos pacientes com disfunção renal grave em tratamento com hemodiálise, mesmo pequenas quantidades de carambola podem ser fatais. Em relação aos pacientes saudáveis, os casos descritos de lesão renal aguda pela carambola geralmente estão associados a um consumo exagerado da fruta.

Perigo

Um dos casos descritos na Índia foi de um jovem de 29 anos, previamente saudável, que após intenso trabalho resolveu se hidratar tomando um litro de suco de carambola. Doze horas depois do consumo da fruta, ele desenvolveu quadro de intoxicação com insuficiência renal aguda por deposição de oxalato nos túbulos renais, sendo necessário tratamento com hemodiálise. Felizmente, o paciente se recuperou totalmente.

Sintomas da intoxicação

O primeiro sintoma da intoxicação pela carambola costuma ser um quadro de soluço, que é persistente e não responde a nenhuma das formas de tratamento habituais. Os soluços surgem habitualmente de uma a quatro horas após o consumo da fruta, mas há casos em que o intervalo de tempo é de até 24 horas.

Diagnóstico

O diagnóstico da intoxicação pela caramboxina é relativamente fácil em pacientes com insuficiência renal, que apresentam soluços incoercíveis e relatam consumo recente de carambola para o seu médico nefrologista. Por outro lado, o diagnóstico é muito difícil nos pacientes que chegam ao médico já em estágios avançados de intoxicação, com convulsões, fraqueza muscular ou coma.

Alerta

A maioria dos médicos pensa primeiro em AVC ou em outras causas de intoxicação, pois a toxicidade da carambola não é muito conhecida entre os médicos que não são nefrologistas ou neurologistas. Se o paciente ou os familiares não relatarem o consumo de carambola, é pouco provável que o médico vá pensar inicialmente nessa hipótese.

Tratamento

O único tratamento efetivo, até o momento, para a intoxicação por carambola é a hemodiálise, que deve ser realizada com sessões diárias. Mesmo os pacientes que previamente eram saudáveis devem ser tratados com hemodiálise, caso apresentem sinais neurológicos de intoxicação pela caramboxina.

PUBLICIDADE