Aracruz participa da comemoração dos 150 anos da imigração italiana no Brasil

As pessoas estarão representando as primeiras 80 famílias de italianos que chegaram ao Brasil por Santa Cruz, em Aracruz

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Foto: Divulgação

Descendentes de imigrantes italianos em Aracruz, incluindo o prefeito Dr. Coutinho, estarão vestidos como seus antepassados para embarcar em um navio semelhante ao La Sofia, na Praça do Papa, para participar de um cortejo marítimo com mais de 40 barcos e desembarcar no Porto de Vitória, no próximo dia 17, comemorando os 150 anos da imigração italiana no Brasil.

As pessoas estarão representando as primeiras 80 famílias de italianos que chegaram ao Brasil por Santa Cruz, em Aracruz, que estarão ao lado de integrantes de todos os grupos folclóricos do Estado, que farão um corredor para a passagem dos descendentes de imigrantes. Na Catedral Metropolitana haverá a Tavolatta, uma mesa grande para a degustação de produtos típicos.

É prevista uma bela encenação dos momentos que marcaram a chegada da primeira grande leva de imigrantes ao país, no distrito de Santa Cruz, em Aracruz, na época sede do município. A programação também contará com a caminhada de todas as famílias pela escadaria Bárbara Lindenberg, passando pelo Palácio Anchieta para chegar à Catedral Metropolitana de Vitória, onde será celebrada uma missa em italiano, com um coro de 100 vozes. Todo o trajeto terá a presença de bandas, grupos de dança e grupos folclóricos espalhados pela região.

Imigração Italiana no Brasil começou por Aracruz

Foi em 1874 que a Expedição de Pietro Tabacchi chegou ao Espírito Santo, evento que inaugura a imigração em massa de italianos para o Brasil. Foram 388 camponeses – trentinos e vênetos – que embarcaram no navio “La Sofia” e chegaram a Vitória para buscar novas oportunidades, trabalhos e vivências. A Expedição Tabacchi é assim chamada por ter sido liderada por Pietro Tabacchi, que emigrou de Trento para o Espírito Santo em 1850, onde adquiriu uma propriedade em Santa Cruz, em Aracruz, a Fazenda das Palmas, hoje propriedade dos irmãos Devens. Em 1871, ele pediu autorização ao Governo do Brasil para trazer imigrantes para a sua propriedade.

Como foi a imigração italiana no Espírito Santo

A primeira expedição de italianos para o Espírito Santo foi batizada com o sobrenome do seu idealizador, Pietro Tabacchi. De acordo com o sociólogo Renzo M. Grosselli, no livro “Colônias Imperiais na Terra do Café”, da Coleção Canaã do APEES, Tabacchi era um italiano oriundo de Trento que já se encontrava no Espírito Santo desde o início da década de 1850, onde adquiriu uma fazenda no município de Santa Cruz (atual Aracruz). Ao observar o interesse do Brasil pela mão de obra europeia ele decidiu oferecer terras para os imigrantes em troca do direito de derrubar 3,5 mil jacarandás para exportação.

Quem foi?

Pietro Tabacchi foi um comerciante e aventureiro originário de Trento, que deixou a Itália fugindo dos credores, após a falência dos seus negócios. Estabelecido com a fazenda “Monte delle Palme”, atual Fazenda das Palmas, provavelmente desde 1851, em Santa Cruz, Tabacchi usou como pretexto para atrair imigrantes a ideia de que a produção de café no Espírito Santo teria um futuro certo na substituição da mão de obra escrava.

O navio La Sofia partiu do porto de Gênova na tarde do dia 3 de janeiro de 1874 e chegou a Vitória 45 dias depois. A expedição de Tabacchi envolveu 388 lavradores, um capelão e um médico, além de um auxiliar chamado Pietro Casagrande. Menos de um mês após o desembarque, os colonos passaram a pleitear a rescisão do contrato com Tabacchi. Em vez das casas prometidas aos imigrantes, ele construiu um enorme galpão e obrigou-os a viver promiscuamente. Além disso, para alcançar a área agricultável, os trabalhadores tinham que enfrentar uma viagem de seis horas por estradas em condições precárias. Os colonos queriam ir embora para outras terras.

Tabacchi chegou a publicar anúncio num jornal de Vitória, em maio de 1874, ameaçando levar à Justiça quem contratasse os colonos que ele havia trazido da Itália. O que não impediu que gradativamente os imigrantes, com o apoio do governo, tomassem outro destino. Uns foram para Rio Novo, outros para Santa Leopoldina, alguns fundaram Santa Teresa e, finalmente, um pequeno grupo se deslocou para o Sul do país. Apenas 20 famílias decidiram continuar com Tabacchi.

Vislumbrando a falência do seu empreendimento, com prejuízos de grande monta (ele havia contraído dívidas para levar adiante o projeto de colonização), Tabacchi teve agravado o seu estado de saúde e morreu do coração em 1874.

(Fonte: http://www.woydt.be/genealogie/g18/g18x/18xxtapi01.htm)

PROGRAMAÇÃO

5h às 7h – Recepção das comitivas – Praça do Papa (Vitória)
7h às 7h30 – Concentração – início do cortejo para o embarque dos imigrantes
8h – Chamada para o embarque dos imigrantes
8h30 – partida do navio – cortejo marítimo
9h – desembarque dos imigrantes no Porto de Vitória
9h30 – Caminhada dos Imigrantes para a Catedral Metropolitana, pela escadaria do Palácio Anchieta
10h – Missa italiana com a participação de coral com 100 vozes
11h30 – Saudações das autoridades
12h – Início dos festejos e das atrações culturais, com associações e grupos folclóricos

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