A microempresa

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George Bernard Shaw proclamou, certa vez, que “o maior dos males e o pior dos crimes é a pobreza”. Será? Que tal olharmos os microempresários brasileiros? Comecemos por um estudo divulgado na Inglaterra, a mostrar que entre 21 países o Brasil tem o povo mais empreendedor – de cada oito brasileiros um está tocando seu próprio negócio. Nos EUA, o segundo colocado, a relação é de apenas dez para um. No Japão, de míseros cem para um.

Somos empreendedores mesmo diante da infernal burocracia que nos atormenta. Enquanto nos EUA são necessários quatro dias para a abertura de uma empresa, aqui gastamos uns 86. Em São Paulo chega-se a 152 dias. Para exportar, um empresário brasileiro precisa passar por 20 instituições, o que leva cerca de 90 dias (nos EUA e na Europa não seriam necessários mais de 10 dias).

Segundo o Relatório Internacional de Empresas (IBR) somos o país com a maior carga de burocracia do mundo. Não foi diferente a conclusão do Banco Mundial após um estudo realizado no já distante ano de 2004, quando, entre 145 países, só ficamos à frente do Haiti, Laos, República Democrática do Congo e Moçambique. E a carga tributária? No dito “Primeiro Mundo” oscila entre 20% e 24% do PIB. Enquanto isso o microempresário brasileiro lida com espantosos 36% do PIB!

Nosso povo, porém, tem sido gigante! Os últimos números a que tive acesso demonstram que as micros e pequenas empresas já são 3,4 milhões ou 98% das empresas aqui instaladas. Empregam metade da população ocupada. Participam com 20% do PIB. Respondem por mais de 12% das exportações. Há alguns anos li que somente a microindústria do artesanato emprega 8,5 milhões de pessoas, que produzem 2,3% do PIB – é quase o que representa a poderosa indústria automobilística, então responsável por cerca de 3% do PIB.

Mas, como “ser pequeno” é mesmo “o maior dos males”, além das péssimas condições de trabalho, nossos microempresários não podem no mais das vezes sequer sonhar com as facilidades, isenções e tolerâncias com que muitas vezes são aquinhoadas grandes corporações transnacionais, cujos lucros são quase sempre remetidos para fora do Brasil.

Por tudo isto, talvez fosse bom refletirmos sobre as razões de o brasileiro quase nunca poder simplesmente trabalhar em paz e de ser tantas vezes discriminado em seu próprio país.

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