190 para matar

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Dia desses li que um norte-americano foi preso por passar, em apenas 2 dias, 1.100 trotes ao serviço de emergência da Polícia de Gainseville (EUA). Pouco tempo depois o “Yomiuri”, do Japão, noticiou que anualmente os operadores da Polícia daquele país lidam com espantosas 950.000 ligações absurdas.

Assim, em Tokyo uma senhora telefonou para a Polícia e, reclamando de dores nas pernas, solicitou que policiais fossem a alguma farmácia adquirir medicamentos para ela. Em Saitama uma outra avisou que iria viajar e pediu que fosse destacado um policial para alimentar seu cachorro. Em Gifu uma senhora desembarcou do trem e, reclamando da chuva com a Polícia, solicitou uma viatura para apanhá-la na estação e levá-la em casa. Em Kyoto um jovem desiludido implorou aos policiais que convencessem sua ex-namorada a reatar com ele. Em Aomori um senhor solicitou que a Polícia removesse a neve diante da porta de sua casa todos os dias pela manhã. E uma senhora de Kouchi, dizendo que havia esquecido uma caixa de isopor na praia, solicitou à Polícia que designasse uma viatura para recolhê-la e entregá-la em sua casa.

Em Aachen, na Alemanha, uma mulher telefonou para a Polícia reclamando que o marido não queria manter relações sexuais com ela. Na Califórnia (EUA) uma outra encomendou pizzas ao serviço de emergência, alegando “fome extrema”, e um homem pediu indicações de um bom restaurante.

Na Nova Zelândia uma senhora comunicou à Polícia que havia rasgado seu vestido e pediu ajuda para repará-lo. Ainda lá um homem comunicou uma briga de passarinhos em seu quintal, uma mulher pediu conselhos sobre se aceitava uma proposta de casamento e um senhor noticiou que havia uma vaca em sua caixa de correios.

E no Brasil? Segundos dados divulgados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, o serviço “190” recebe, em média, 27 mil ligações por dia. Dessas, cerca de 9 mil são trotes – incríveis 30%!

Pense, agora, na perda de tempo, no custo material e nas vidas perdidas por conta dos atrasos fruto dos tumultos criados – e nesta seara cada minuto conta. Seria bom que cada ser humano se imaginasse no lugar daquelas pessoas que, por falta de assistência no momento correto, perderam a saúde ou mesmo a vida. Afinal, como ensinava Chamfort, “a consciência é a presença de Deus nos homens”.

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